ao som de Formidável Família Musical.
Era domingo.
Tarde demais pra querer de novo.
Cedo o suficiente pra amargar o dia.
Sentou-se trêmula nos pés da cama, não queria acordar, nem voltar a dormir, por que manter algo que não existiu?
Não era o simples fato da bebedeira noite passada, nem do acaso das distâncias passageiras, até que lhe agradava a dose certa de ausência. Presença é que lhe preocupava.
Por que impregnar os cantos se não queriam permanências?
Como aquela vez em que jurou não mais ouvir música dramática em plena manhã nublada e percebeu já tarde o rádio sintonizado no de sempre.
Algumas coisas nunca mudam.
Pior, algumas coisas são feitas pra nunca mudar.
Algumas coisas acontecem pra não mudar nunca mais, e como a gente resolve isso?!
Sempre foi de acreditar em amor e, assim sendo, não enxergaria nunca seu fim.
E, repetidamente, vem à mente que “já não dá mais”, mas sempre deu mais um pouquinho.
Ou um bocado. Rendeu, e quem diria, nem poupança daria tanto resultado.
Não adiantaram de nada, tantas promessas, tantas rotas recalculadas, volta e meia, ela está cá, dentro e fora, aérea, extasiada.
Sempre a mesma, toda errada.
Passa todo dia nessa calçada e nunca volta a mesma.
Conhece dos números, dos astros, de política e de religião.
Até de leis e trovadorismo.
Mas nunca lhe é suficiente, nunca é o bastante pra manhã de domingo.
É vazio demais pra fazer algum sentido.
Esquecer e lembrar.
É muita bagagem pra desfazer enquanto a segunda se prepara pra ser a mesma.
