sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Perfídia.



      E o que a gente pode dizer depois que isso tudo passa? Ah, distância ingrata, que nunca deixou a serenata chegar e adentrar os poros, não houve impulso, nem ladeira que a fizesse chegar. Tinha muita coisa pra falar, mas calou. Calou pelo simples fato de acalorar demais as têmporas, e escorrer pela face. De tanta análise, terapia de garrafa, esconde-acha de ponto fraco, perdeu-se tudo. Faz sentido desejar ‘boa tarde’?! Quer dizer, ela acaba nunca sendo boa, pra quê falsos desejos, palavras infiéis?! De traição em traição, verdade nunca foi o ponto forte dessa canção, vai dizer agora que devemos manter as aparências!? Que aparentemente nunca foi grande coisa, ô Deus, como é traquina essa vida! Não vamos nos obrigar a um presente medíocre, de vulgar já basta o fato de um dia ter acreditado nessa melodia. Não gosto de discursos empíricos, de grandes plateias, detesto espetáculos a céu aberto, geralmente minhas majestosas respostas chegam tarde, e não espere um bate-boca fogoso em plena tarde de quinta-feira. Prefiro perder contato, pretendo manter doses altas de ira e consciência, porque, meu Deus, quem diria, melhor desconhecer as pessoas a ser vítima de seus extremos. Melhor amar o desconhecido a submeter-se aos caprichos dos que nos são comuns. Um dia após o outro, uma caixa de aspirina a cada manhã. Do meu quarto ouço o trânsito acordar. Meu peito ainda está congestionado.