E o que a gente pode dizer depois
que isso tudo passa? Ah, distância ingrata, que nunca deixou a serenata chegar
e adentrar os poros, não houve impulso, nem ladeira que a fizesse chegar. Tinha
muita coisa pra falar, mas calou. Calou pelo simples fato de acalorar demais as
têmporas, e escorrer pela face. De tanta análise, terapia de garrafa,
esconde-acha de ponto fraco, perdeu-se tudo. Faz sentido desejar ‘boa tarde’?! Quer
dizer, ela acaba nunca sendo boa, pra quê falsos desejos, palavras infiéis?! De
traição em traição, verdade nunca foi o ponto forte dessa canção, vai dizer
agora que devemos manter as aparências!? Que aparentemente nunca foi grande
coisa, ô Deus, como é traquina essa vida! Não vamos nos obrigar a um presente
medíocre, de vulgar já basta o fato de um dia ter acreditado nessa melodia. Não
gosto de discursos empíricos, de grandes plateias, detesto espetáculos a céu
aberto, geralmente minhas majestosas respostas chegam tarde, e não espere um
bate-boca fogoso em plena tarde de quinta-feira. Prefiro perder contato,
pretendo manter doses altas de ira e consciência, porque, meu Deus, quem diria,
melhor desconhecer as pessoas a ser vítima de seus extremos. Melhor amar o
desconhecido a submeter-se aos caprichos dos que nos são comuns. Um dia após o
outro, uma caixa de aspirina a cada manhã. Do meu quarto ouço o trânsito
acordar. Meu peito ainda está congestionado.
