Honestamente,
acredito que a vida, muitas vezes, cobra mais do que devia da gente. O homem
tem essa falsa moral naturalista de aspirar justiça em todos os cantos, mas é
sempre o primeiro a tirar proveito da situação. Confortavelmente, não dá mais
pra confiar nas pessoas. Matematicamente elas querem proveito de tudo, ainda
que prejudicar alguém seja inevitável. O que seria do dolo eventual se não
fossem as leis penais, tão capengas por natureza e desumanas em uso?!
Fatalmente, se mente por convenção, habituamos nossos eu's vazios a fazer parte
do todo, sem que precisemos de sinceridade nos dias. Quem diria que nem a nós
mesmos seríamos fiéis? Traímos, trocamos e descartamos com voraz sede de
conforto e bem estar. Não é a vida em si que nos obriga a isso, é a
conveniência. Convém não ser de verdade pra viver a vida. Contraditório isso.
Deixamos nossa materialidade no armário pra conseguirmos nos adequar ao mundo
com subjetividade. Perdemos mais de nós pra mantermos os outros perto, e por
quê? Hoje, depois de tanto apanhar e tanto perder, não me escondo mais do medo
de não me reerguer, depois de tantas falsas verdades e palavras a contragosto,
prefiro me acostumar ao fato de não mais me importar com tudo o que faltou ser.
