sábado, 15 de setembro de 2012

Innocence.



        Foi aí que percebi o quanto desperdiçamos sem querer. Antes fôssemos causadores de tudo, quer dizer, melhor conviver com a certeza da culpa que a inconsistência da vida. Se a nós fosse dada a arbitrariedade: amar quem quiséssemos, ir embora, voltar, sair e ficar, talvez tivéssemos mais ânimo em fazer as coisas darem certo. Não depende de nós, não exclusivamente. Constatamos isso quando o destino insiste em cruzar caminhos, embutir conversas, calar vozes, esconder futuro e desembrulhar passado. Passei a semana descobrindo e recobrando vida, passado, presente, futuro mal andado. Se dependesse apenas de cada parcela, minha culpa era das mais leves, dava pra acomodar no armário. Mas agora não cabe, transborda, desaba sobre mim. Toda vez que eu acredito estar ficando à vontade nesse meu mundinho estranho, vem a vida e me esfrega na cara que nada vai ser tão simples assim. Até parece existir uma força maior oculta que me prende os braços, as pernas, me afoga naquilo de que mais tenho fugido, tentado me livrar. Às vezes, o passado não quer nos deixar, quase sempre, não o deixamos ir. Pior é se fazer prisioneiro de si mesmo, e pagar pelo crime dos outros pelo simples fato de não haver mais motivo pra provar inocência.