Olhe,
não vou esconder, confesso só pra você que tá cada dia mais difícil. Não, não
saio gritando isso aos quatro ventos, já passou a época do meu desespero
exacerbado juvenil e careta. Hoje eu guardo só pra mim a visão egoísta e
infantil que tenho de você, e que muito provavelmente você também tem de mim.
Não te culpo, mas não me encarrego da culpa também, poderia ser muito menos,
não acha?! Quer dizer, dava pra ter tomado outro rumo, menos melodramático e menos
choroso como foi pra mim. Dava pra não ter acostumado essa saudade oca de
sabe-deus-o-que de você, assim como seu odioso comportamento vazio e apagado,
que me faz ter colapsos nervosos, fúrias de sábado e languidezes de domingo.
Dava pra não ter passado tanto tempo, eu presa a algo distante e você distante
o suficiente pra não ficar preso a algo. Eu sei suficientemente, tintim por
tintim, sobre não darmos certo ontem, hoje, ou agora. E não nutro sequer uma
última esperança de um milagre aprazível nos ocorrer. Mas toda essa descrença e
sensatez não me impedem nem um pouco de chorar escondida quando ouço pela
milionésima vez aquela musica mais minha que sua, e tão nossa. E me enlouquece,
por que você não percebe que esse seu orgulho tolo e essa mania de não estar
nem aí pro mundo ainda vão fazer você perder muita coisa. Fica a dica. Se é
que você se importa com isso.

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