Acho incrível o poder que as
pessoas têm de distorcer a vida. Acredite, quando afasto pessoas do meu
convívio, não é por maldade ou castigo. Quem sou eu pra dizer o certo e o
errado dessas histórias?! Só não vou submeter o fatídico menosprezo e
constrangimento de ser o que sou ao bel prazer dos outros. A gente incomoda
muito só em existir, poucos se dão conta disso. Então, eu ignoro, eu finjo não
ver porque sempre vejo demais, e acabo vendo o que não deveria. Tento não
considerar, mas certas palavras por si só já trazem muita extensão. Muita
interpretação pra pouco texto. Até silêncio, meu Deus, até silêncio eu
interpreto. Tiro minhas próprias e tórridas conclusões. E as pessoas sempre me
deixam tão assim, sufocada de mim mesma, por ser tão agra nas minhas
colocações. Por ser tão exagerada e demorada, como dizem corriqueiramente. Como
se o simples fato de ser quem eu sou, por si só, já acarretasse coisas demais,
congestionasse o trânsito, e minhas vontades tornassem isso ainda mais complexo
e atrasado. Talvez seja mesmo essa carga sentimentalista e agridoce que carrego
o que me afasta das pessoas. Ou talvez elas se afastem pelo simples fato de não
caberem perto. Não sei dizer ao certo, embora quisesse entender. Também não sei
lidar com isso. E de todas as alternativas que já fiz uso, nenhuma agradou
suficientemente. Faço o que então? A vida continua lá fora. As pessoas estão
cumprindo destino, e o tempo desencadeando os caminhos. Eu, permaneço na mesma
esquina suja, com as mesmas canções que marejam os olhos e comprimem o coração.
Não é menosprezo, raiva ou crueldade, amargura de alma abandonada. Às vezes, eu
apenas não suporto o fardo de não saber lidar com tudo isso.

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