sábado, 14 de julho de 2012

(8) Eu entendo, e Deus passou lotado por nós.



          Em fim, um brinde aos dias que passaram, e assim espero, não voltem mais. Que não me apunhalem como já fizeram outra vez e tantas. Mais, que eu não me deixe acometer do passado que custou passar, e por assim dizer, voltar ao tempo e estragar o novo. Lembremos apenas do que pudermos, a vida já é por demais comprida para ser acomodada dentro da gente. Que toda saudade que venha, volte. Que toda vontade passageira se afogue, e que a sabedoria de ser e agir controle os anseios e sentidos, porque a vida requer demais de nós nos dias de hoje. Um brinde aos que passaram, congestionaram e vagaram pelos meus caminhos. Àqueles que foram, meu muito obrigado, pela chegada e pela partida, quem não sabe da dor ou amor que fica, sabe da certeza mal sucedida. Àqueles que ficam, pelo fluxo do trânsito, aceleremos presente e passado, pra podermos colher futuro sem maiores perdas. Um brinde à rasura, aos cacos e pedaços perdidos, achados. Às coisas boas do dia, e aos contratempos que ultrapassam fronteiras, e nos atingem para que revidemos, porque não é certo choramingar águas correntes e lastimar seu curso. Acostumar-se às leis, e tratar de cumpri-las, ou ser comprimida por elas. Um brinde à vida, que tanto cobra e tanto nos presenteia. Que saibamos cuidar de nós e que as estações prossigam, pois ainda que impeçamos, o sol brilha mais pelo simples fato de não depender de certas coisas, nem prender-se ao acaso. O preço que se paga pra estar aqui é muito oneroso para nos deixarmos tão à mercê dos outros. Saibamos dar fim ao dia quando a vida não tiver mais jeito.

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