Até onde aquilo que sentimos pode
ser considerado verdadeiro? Quer dizer, constantemente somos postos à prova.
Jogado aos leões. Quase sempre, descontamos frustrações, desatamos gratidões.
Pelo simples fato de pequenos e certos detalhes nos corroerem demais.
Desgastarem mais do que deviam, irritarem mais do que podiam. Explodimos, ou
implodimos para não atingirmos mais ninguém. Mas atingimos demais a nós mesmo.
E por assim ser, destruímos muito para mantermos aquele pouco que nos sustenta,
ou que pensamos nos sustentar. O fato é que, independentemente da dor, do peso,
do incômodo que não nos permite ficar a vontade em qualquer lugar, resta, por
si só, aquela fútil esperança acesa, fagulha de vidro, que inflama com coisas
pequenas, com gestos desapercebidos, com saudades que são mais presentes que
qualquer outra coisa ao alcance. Mantemos pelo puro prazer ou simples tristeza
de ser dor, porque não ser, é morrer em si mesmo. Então aguentamos um vez e
outra mais, o tapa na cara, a mentira deslavada e verdade cortante e
dilacerante. Suportamos por um propósito
maior, que desafia as leis da física, ou qualquer coração vagabundo jogado na
calçada. Nos descobrimos mais fortes na fraqueza gritante e visível estampada
em riso, cor e cara. Porque em nós persiste essa vontade insana de acreditar
naquilo que nos é roubado cada vez que persistimos, que insistimos em viver. E
vivemos por insistência, por condescendência aos outros e a nós mesmos. Por
pura e simples questão de ser defeituoso em nossa perfeição. Por sermos demais
quando deveríamos ser quase nada, e não nos contentarmos com o fato de a vida
não se desenrolar como deveria. Claro, tantas quantas poderiam ser as opções.
Mas a gente quer aquela, que deveria, por ordem ou compaixão, ser a única
possível e cabível pra situação.

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