Vivemos com a certeza de muito pouco e a dúvida desconcertante de um quase inteiro. Sofremos pelo simples fato de sermos humanos demais para lidar com certas coisas. Com o descontrole de vida e sentido. Porque buscamos equilíbrio na maior parte das manhãs, quando estamos dirigindo ou trabalhando. Não queremos ser perturbados por intempéries ou traídos pela consciência que nos transporta para onde desejamos estar. Essa escolha não é permitida. Então, vivemos o que a permissão oferta, morgados pelo hábito de assim sermos viventes, sem muita escolha ou interferência, condenados ao sistema oferecido. Buscamos qualquer válvula de escape que nos permita respirar mais do que o permitido. Descontamos numa taça de vinho, no cartão de crédito, na simples fuga pra um abrigo ou qualquer coisa que nos traga uma dose de certeza de que as coisas estão tortas, mas com calma, se ajeitam. Porque tem dias que pesam demais nas costas e, às vezes, precisamos de uma ajudinha extra pra carregar a bagagem da vida. Você até pode me dizer que basta descartar algumas coisas. Mas não é tão simples se desfazer assim delas. Não quando passado demais se faz presente, ainda que você afaste, ainda que você busque não se afetar do mundo ao seu redor. Muitas vezes, nós temos pouco ou nenhum controle sobre isso. Certas coisas, simplesmente, fogem das nossas mãos, escapam entre os dedos. E nos fazem enlouquecer. Porque não queremos perder, ainda que o ganho tenha sido zero. Não queremos perder pelo simples fato de não aceitarmos ser perdedores em nossas próprias vidas. Ao menos nisso eu gostaria de ser compreendida. É frustrantemente agonizante coadjuvar seu próprio conserto. Aterrorizante dar adeus querendo ficar, sentir e não falar, sorrir pra não chorar e entender que vai ser assim, que é preciso aceitar. Temo mais do que qualquer um essa aceitação. Me apavora por inteira não saber ao certo o efeito colateral dessa condição.
segunda-feira, 16 de julho de 2012
Sobre a condição.
Vivemos com a certeza de muito pouco e a dúvida desconcertante de um quase inteiro. Sofremos pelo simples fato de sermos humanos demais para lidar com certas coisas. Com o descontrole de vida e sentido. Porque buscamos equilíbrio na maior parte das manhãs, quando estamos dirigindo ou trabalhando. Não queremos ser perturbados por intempéries ou traídos pela consciência que nos transporta para onde desejamos estar. Essa escolha não é permitida. Então, vivemos o que a permissão oferta, morgados pelo hábito de assim sermos viventes, sem muita escolha ou interferência, condenados ao sistema oferecido. Buscamos qualquer válvula de escape que nos permita respirar mais do que o permitido. Descontamos numa taça de vinho, no cartão de crédito, na simples fuga pra um abrigo ou qualquer coisa que nos traga uma dose de certeza de que as coisas estão tortas, mas com calma, se ajeitam. Porque tem dias que pesam demais nas costas e, às vezes, precisamos de uma ajudinha extra pra carregar a bagagem da vida. Você até pode me dizer que basta descartar algumas coisas. Mas não é tão simples se desfazer assim delas. Não quando passado demais se faz presente, ainda que você afaste, ainda que você busque não se afetar do mundo ao seu redor. Muitas vezes, nós temos pouco ou nenhum controle sobre isso. Certas coisas, simplesmente, fogem das nossas mãos, escapam entre os dedos. E nos fazem enlouquecer. Porque não queremos perder, ainda que o ganho tenha sido zero. Não queremos perder pelo simples fato de não aceitarmos ser perdedores em nossas próprias vidas. Ao menos nisso eu gostaria de ser compreendida. É frustrantemente agonizante coadjuvar seu próprio conserto. Aterrorizante dar adeus querendo ficar, sentir e não falar, sorrir pra não chorar e entender que vai ser assim, que é preciso aceitar. Temo mais do que qualquer um essa aceitação. Me apavora por inteira não saber ao certo o efeito colateral dessa condição.
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