Como as
folhas de outono, vi a vida passar por meus olhos num curto espaço de tempo.
Perdi, confesso em fim, por medo ou coragem avessa, perdi por não saber o certo
a se querer no momento apropriado. A gente perde por querer demais, por não se
conter com o que nos é doado. Porque doamos pouco, doemos muito. Permanecemos
mais do que devemos na dor. E assim, passamos os dias, deixando que nos sejam
ultrapassados, atropelados pela discórdia febril de não nos contentarmos.
Doemos, doemos muito, sofremos sem recato, porque dor não se disfarça, se
despercebe. As pessoas não veem com os olhos, mas sentem o peso nas costas.
Mais, disputamos atenção alheia pra desgraça nossa, queremos consolo, colo e
ombro amigo, mendigamos pão e abrigo, porque doer sozinho é doer em dobro, doer
o seu e o outro, por não se conter diante da passividade alheia. Tememos,
tememos perder não só o que já não temos, mas o que criamos em cima disso.
Prendemos, com braços, abraços, apertos, pontadas, prendemos porque deixar ir é
morrer em si. É desistir de um futuro planejado e se condenar ao que a vida nos
reserva. A gente se reserva do acaso. Porque esperar é ser paciente. E
paciência sempre falta no fim do dia. No fim, no fim somos bem menos do que
queríamos, e bem mais do que podíamos.

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