sexta-feira, 8 de junho de 2012

Outras vidas.


       Ao menos uma vez na vida eu gostaria de ter a chance de ver o futuro. Nada mais do que 5 minutos, apenas uma vistoria de rotina, se é que assim posso dizer, só para ter uma noção de como as coisas se desenrolariam até lá. Porque a incerteza e inconstância dos dias e das emoções tem me regado com tanta tristeza. Tanta desaprovação diante dos caminhos tomados. Queria somente uma dose de certeza de que a vida se encarregará de consertar o que me parece sem conserto. Por que, de fato, há dez anos não me imaginava onde estou hoje, quem pode me dizer o que o futuro me reserva? Tenho pressa, sei disso, e acabo por não viver o momento, mas me é tão incômodo o agora. Sem encaixe ou feixe bonito. Tão transgressível e intransigente. Tão desmontável e imutável aos meus olhos. E tenho condenado meus dias assim, a uma espera que em nada me garante uma recompensa, uma prisão ao passado que ainda se faz presente, embora cada vez mais distante e improcedente, se mostrando vago quanto ao futuro. E tenho visto que, ainda que o tempo passe e me roube os anos e os dias, algumas coisas dessa vida vão ficar para sempre mal resolvidas. 

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