Ao menos uma vez na vida eu
gostaria de ter a chance de ver o futuro. Nada mais do que 5 minutos, apenas
uma vistoria de rotina, se é que assim posso dizer, só para ter uma noção de
como as coisas se desenrolariam até lá. Porque a incerteza e inconstância dos
dias e das emoções tem me regado com tanta tristeza. Tanta desaprovação diante
dos caminhos tomados. Queria somente uma dose de certeza de que a vida se
encarregará de consertar o que me parece sem conserto. Por que, de fato, há dez
anos não me imaginava onde estou hoje, quem pode me dizer o que o futuro me
reserva? Tenho pressa, sei disso, e acabo por não viver o momento, mas me é tão
incômodo o agora. Sem encaixe ou feixe bonito. Tão transgressível e
intransigente. Tão desmontável e imutável aos meus olhos. E tenho condenado
meus dias assim, a uma espera que em nada me garante uma recompensa, uma prisão
ao passado que ainda se faz presente, embora cada vez mais distante e
improcedente, se mostrando vago quanto ao futuro. E tenho visto que, ainda que
o tempo passe e me roube os anos e os dias, algumas coisas dessa vida vão ficar
para sempre mal resolvidas.

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