O nosso problema é que
sempre impera o querer. Nós queremos, queremos sempre mais e mais da vida, das
coisas, das pessoas. E por assim querer, cobramos mais, de nós mesmos, dos
outros, do mundo. Esperamos, esperamos mais do que devíamos, nos acostumamos
com a ideia de contar com a sorte, com o empurrãozinho, com a influência e
congruências da vida. Tornamo-nos coadjuvante de nosso próprio destino. Abrimos
espaços para serem preenchidos, por preguiça – quem diria – de construir,
erguer, manter, lapidar e acabar nossa obra prima. Desacreditamos, por vermos o
mundo tão errado no seu jeito certo. Perdemos propriedade, deixamos de ser dono
de nós mesmos, deixamos de ser para ter. E no fim, temos muito pouco, ou quase
nada. No fim, bem lá no fim mesmo, também não somos quase nada.
