Apesar de toda minha conversa sobre
independência e autocontrole, de todo meu esforço em mostrar-me alguém
confiante e sábia, no fundo eu era a pessoa mais mediana e romântica do mundo.
Desmoronava dentro de mim mesma cada vez em que era jogada contra a parede. Eu
mal conseguia olhar no fundo dos olhos. Temia não ser compreendida, ou pior,
ser compreendida demais. A gente tem medo de se deixar conhecer, é sim. Porque
achamos que ficaremos vulneráveis, mas não ficamos. A gente se faz vulnerável,
a gente se deixa atingir. Nada mais pode nos abalar tanto quanto nós mesmos. O
homem não acredita, mas tem um poder inestimável sobre si mesmo. Pode movimentar
céus e terras, fazer paz e criar guerra, e não precisa mover um dedo pra tudo
isso. Basta imaginar, confabular, compactuar com um ou outro. Basta uma palavra
pra mudar seu dia. E nem precisa ser palavra dita ou escrita, a gente fala
sorrindo, lamenta chorando e reclama com o olhar. Somos alheios ao poder de
mente que temos. Por medo ou por coragem, reprimimos nosso ser atrevido, por
acreditar que não aguentaremos as consequências nas costas. A visão do outro é
uma pedra arremessada de fora, nunca sabemos ao certo onde iremos acertar.
Então ficamos sempre com um pé atrás, procurando apoio caso o equilíbrio se
perca. A gente perde por medo de desequilibrar. Se engana aquele que se mantem
firme com os pés fincados no chão. Perdemos a mobilidade de olhar pra trás, nos
limitamos ao campo de visão. E isso é muito pouco, o melhor da vida não se
apresenta frente aos olhos. Chega primeiro ao coração.

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