E mais uma vez me encontro assim,
com os bolsos cheios de arrependimento. Não há o que culpar. Nem uma pessoa
certa, ou um motivo exato pra explicar quando as coisas ficam assim. É só uma
cabeça cheia de dúvidas, descartando todas as saídas possíveis. Também não é
tristeza ou depressão de domingo. É algo que me acomete vez ou outra, quando
estou mais vulnerável, não sei ao certo. Perco a fome, ou a vontade de comer
pra ser mais exata. Desligo-me do mundo, mas a insônia embala minhas noites.
Sinto espasmos, tenho tonturas e vertigens. Caminho com os olhos semicerrados e
uma vontade vaga de me manter acordada. Gostaria de apagar de vez por um ou
dois dias, quem sabe. Porque as situações se mostram ainda mais complicadas,
pra me provarem que algo anda muito errado. E, embora eu saiba que há muito a
ser dito, não sei ao certo se é o melhor a se fazer. Nem sempre podemos apontar
o motivo de nossas tristezas até o fim. E não é tão fácil assim consertar. Você
pode trocar os sapatos ou mudar o corte de cabelo, ainda assim as coisas serão
as mesmas. Então não finja que, mais dia, menos dia, as coisas vão se acertar.
Eu sei que elas nunca mais vão ser as mesmas, mas temo mesmo é que não tenham
mais conserto.

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