domingo, 20 de maio de 2012

Lume de estrelas.




      Sou dessas que ainda para pra ouvir música. Digo, senti-la de verdade, degustá-la e por assim dizer, compreender cada acorde incompreensivo. Também coleciono livros que outrora foram paixões, meu vício cobiçado e criticado, vejo total grandeza ao encontrá-los empilhados em fila indiana, por ordem alfabética ou de tamanho. Gosto da poeira, do cheiro de novo se tornando velho entre as páginas amareladas outrora brancas vivo que eram. Vez ou outra, rodopio ao som de uma canção qualquer, mais triste que feliz, que me reporte ao tempo em que se era impróprio se dançar assim. Valseava-se com todo respeito e admiração à canção e à parceria. Ainda cultivo o gélido costume de sentar-me ao fim da tarde, com biscoitos e um refresco, e prosear por horas com amigos que cá dentro fazem uma confusão danada. Admiro o variar magnífico das cores no fim de tarde, mas me encanto mesmo da noite almejada, das luzes das estrelas, e da lua vagarosa em tomar seu posto. Saudades da época em que se queria contar as estrelas do céu com os dedos das mãos. A vida nos é tão mais simples e comedida na infância. Abraçamos o mundo sem mover os braços, beijamos o céu sem ficar na ponta dos pés. Hoje precisamos de tecnologia e probabilidade para viver, dinheiro, influência, estudo e condições apropriadas. Me diga, será mesmo isso o que chamam de crescer?!    

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