Sou dessas que ainda para pra ouvir
música. Digo, senti-la de verdade, degustá-la e por assim dizer, compreender
cada acorde incompreensivo. Também coleciono livros que outrora foram paixões,
meu vício cobiçado e criticado, vejo total grandeza ao encontrá-los empilhados
em fila indiana, por ordem alfabética ou de tamanho. Gosto da poeira, do cheiro
de novo se tornando velho entre as páginas amareladas outrora brancas vivo que
eram. Vez ou outra, rodopio ao som de uma
canção qualquer, mais triste que feliz, que me reporte ao tempo em que se era
impróprio se dançar assim. Valseava-se com todo respeito e admiração à canção e
à parceria. Ainda cultivo o gélido costume de sentar-me ao fim da tarde, com
biscoitos e um refresco, e prosear por horas com amigos que cá dentro fazem uma
confusão danada. Admiro o variar magnífico das cores no fim de tarde, mas me
encanto mesmo da noite almejada, das luzes das estrelas, e da lua vagarosa em
tomar seu posto. Saudades da época em que se queria contar as estrelas do céu
com os dedos das mãos. A vida nos é tão mais simples e comedida na infância.
Abraçamos o mundo sem mover os braços, beijamos o céu sem ficar na ponta dos
pés. Hoje precisamos de tecnologia e probabilidade para viver, dinheiro,
influência, estudo e condições apropriadas. Me diga, será mesmo isso o que
chamam de crescer?!

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