Eram quatro mulheres. Todas mães, não
sei ao certo. Pelo andar da conversa já se conheciam o suficiente para palpitar
uma na vida da outra. Aquela que assumia a posição de líder, aparentava seus
quase 40 anos muito bem conservados em meio a luxo e cuidado. Falava com total
maestria, atraía os olhares e despertava admiração de quem assistia o evento. A
mais baixinha, com seus óculos e ar de sabedoria, falava calmamente, entre
risos e sorrisos, e sempre deixava uma dúvida pairar quando se calava.
Admirável o descanso na face da mais madura do grupo. Ria ao falar, ou falava
rindo, não sei ao certo, mas me parecia que o mundo era muito mais belo e calmo
a seu ver. A última não aparentava nada de diferente, mas ainda assim chamou
minha atenção mais que as outras. Não, ela não ria com frequência, nem era a
mais bela ou dotada de predicados e adjetivos. De fato, quem observava a cena
mal se dava conta dessa figura no grupo vistoso. Pra ser mais franco, precisei
de pelo menos mais uma olhadela pra me dar conta daquilo, pra prender a
atenção. Ela não disse uma palavra durante o espaço de tempo observado, mas
consegui captar cada reação e pensamento que o olhar castanho expunha. Ela não
falava, mas seus olhos diziam tudo que sua alma pretendia.

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