Então, ainda que os dias passem, e as
situações adversas permaneçam, que eu não permaneça nelas, porque viver requer
bem mais que fáticas reclamações e desistências. Resistir é ainda pior que
desistir, abrir mão de coisas e pessoas não é uma tarefa fácil, mas, mais
difícil ainda é permanecer com elas quando não nos é devido. Reforço minha
política de que pedaços e farelos não completam um inteiro, e por si só, somos
completos em nós, sempre com espaços a serem preenchidos. De verdade, de
inteiros. Não somos um quebra cabeça de cem peças. Somos um inteiro inacabado
que se complementa com o mundo ao redor. Sejamos sempre porta aberta, janelas
escancaradas para o que nos faz crescer. Lembre-se, totalmente abertos, estamos
disponíveis ao bem e ao mal, tudo é uma questão de escolha certa, de instintos
a serem seguidos. Escancare-as ou feche-as de uma vez. Meias verdades e
sentimentos se aproveitam de qualquer porta entreaberta ou janela recostada
para fazer morada. E, apesar de tudo, sorria mais, permita-se um sorriso quando
o peso nas costas parece injusto. Na vida, muito pouco ou quase nada é justo,
tudo depende da forma como encaramos a injustiça. Reclamar não resolve problema
algum, agir sim, fazer por onde é o segredo para percebermos que a vida só nos
presenteia com felicidade quando sabemos usá-la a nosso favor. O passado só é
feliz porque hoje sabemos o propósito de cada obstáculo. O presente é apenas
incerto, mas basta lidarmos de forma menos agressiva com ele. Está tão perdido
quanto nós, e cabe a cada um direcioná-lo. Permita-se arriscar a direção, e
assim acertar, ou errar, quem sabe. Saiba desapegar, ressentimento é ainda
sentir, é permanecer, e assim sentir demais. Nós devemos ter consciência de que
é chegada a hora de partir, de abrir mão. Muitas vezes, deixar é melhor que
ficar. Deixe que o tempo passe, deixe que o tempo cure, permita que a vida
cuide de trazer felicidade.

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