quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Amiúde.


‘Livra-me de todo mal que causo a mim mesma’. Ultimamente é o que tenho pedido a Deus em minhas preces e curtas conversas. Ainda maior que a dificuldade de não saber continuar depois de uma batalha perdida, é ser vítima de si mesmo e de sua mente compulsiva. Verdade, já nem sei quantas e quantas vezes fui sucumbida por aquilo que minha imaginação traiçoeira insistia em recordar. Algumas coisas, acredito eu, nos tomam por um longo espaço de tempo, fazem de nós casa e alento, para qualquer dia desses, arrumar as malas e partir, sem destino certo e bagagem cheia, porque a vida, eu lhes digo, é feita dessa magia: alegria de chegada e esperança de partida. Sim, tudo o que se vai, de uma forma ou de outra, só nos deixa esperança. A única e indispensável probabilidade de seguirmos em frente, sem muita certeza sobre aquilo que virá, mas total consciência daquilo que nos fez chegar até aqui.
Eu sei, há coisas que eu nunca disse, e provavelmente coisas que não me disseram, mas ainda acho que eu soube e eles também souberam de tudo aquilo que não foi falado. Pena que a maioria das pessoas seja incapaz de amar, é, fazem uma confusão danada, uma mistura tola, e no final das contas, a gente acaba se arrependendo por não ser diferente. Nem persistente. Ou insistente demais. Penso sempre, e nutro a inútil certeza de que tudo acontece por um motivo exato que não conseguimos descobrir de imediato. Tudo bem, na maior parte do meu tempo, e isso quer dizer 95% dele, me afogo em destempero ou qualquer coisa mais banal e sarcástica sobre a vida assim, tão desacreditada. Mas quando me encontro cá dentro, em mais um dos meus diálogos filosóficos, reafirmo aquilo que acredito estar adormecido na maior parte do tempo: é preciso continuar. É o mínimo, se não essencial, que se pode e se tem a fazer. A maior parte da minha vida, eu sei, compliquei as coisas. Mas não se esqueça que a maior vítima de tudo isso fui eu.  E não lembrar é um tanto quanto disperso demais pra alguém tão centrada. Controladora. Pensar dói. Não se importar com isso, dói mais ainda. Sofrer de uma vez por todas é tão assim menos frustrante que morrer depois. Por isso eu não adio meus velórios de hoje. Cultuo meu luto com a esperança de renascimento que o novo dia pode me oferecer. Eu sei que o fim da tarde pode trazer fantasmas, mas as sombras só existem porque em algum canto brilha uma luz.  Não tenho tido nada de muito bom por certo, só a esperança frívola de um amanhã modesto. É só isso que me tenho ao certo. 


'Morrer é uma arte, como tudo mais" (Sylvia Plath)

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