Eu aprendi da maneira mais difícil a nunca chegar a um ponto crítico de negação. Mas eu não permitirei que me machuquem de novo, porque agora, ando sobre a calçada, aprendi a jogar do lado seguro e não mais me machucar. E talvez por tudo isso que eu tenha passado, acho difícil confiar em mim mesma, e nos outros ao meu redor. Eu estou sempre suspensa, porque levou muito tempo para eu me dar conta de certas coisas. E pra eu assumir minha fraqueza nos olhos. Na maioria das vezes eu sou forçada a fingir uma alegria de bolso, um sorriso forjado, porque por dentro é tão frio e sem graça, que qualquer ser um pouco humano assustaria-se com tal cena. Porque eu não queria deixar tanta coisa morrer, mas pior ainda é ter que chorar toda noite pelos mesmos motivos. E eu não quero isso pra mim, demorei demais em algo que nunca foi real, nem ao menos uma fantasia que valesse o risco de sonhar. Simplesmente porque as pessoas são incapazes, muitas vezes, de pensar em mais alguém além de si. E pelos motivos errados eu não deixo mais as pessoas se aproximarem, eu tenho medo e vivo envergonhada da minha vida que ficou tão vazia. Mas eu farei o que for preciso pra voltar a sorrir. E eu insistirei, eu correrei o risco e aproveitarei as chances. Talvez eu não saiba onde elas me levarão...mas é preciso correr o risco. Embora não seja fácil dizer adeus, algumas coisas devem morrer mesmo que interrompam o ciclo. E não importa onde essa estrada vai dar, eu tive que abrir mão, porque mesmo com empenho, algumas coisas acontecem para nunca dar certo.
vestígios de um domingo lispectoriano,
regado de passado e desencanto,
eu ainda preciso mudar muito aqui.

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