Ainda estou confusa, mas a raiva me povoa, então contemos com a sorte, pra ver se tudo isso muda. Quantas chances desperdicei presa ao medo de perder o que nunca me pertenceu. E quando o que eu mais queria era tão pouco pra ser incômodo. Mas a verdade sempre vem bater à porta, quando vem à tona, não há amor ou sentimento que dê conta. Não que eu me engane, só eu sei da sensibilidade que me povoa nessas horas, mas não vou me alimentar de raspas do que nunca foi verdade. Não, também não é drama ou dose exagerada, é só verdade, sem dó nem piedade, é verdade que maltrata em pensamento. Ainda pior que ser enganado é o autoengano. É ser alheio de si, trair a si mesmo. E como atraiçoar nunca me pareceu correto, voltemos ao estado crítico da situação. A raiva é que controla minha emoção. Eu bato a porta, eu fecho a cara, não dou a mínima pra intenção. Nem das melhores, nem das piores. Porque do medo de ir embora eu conheço bem, de abandonar. Dizer adeus, sem nada em troca, é realmente de assustar. Sem mais para lembrar, como diria meu poeta, de algum jeito vai passar. Mesmo que eu impeça, vai continuar. O passado não te priva de futuro. Isso você faz contra si. E como cansei de batalhas inúteis que só me desgastam, espero o que venha, sem pressa e sem calma, contando que chegue. Aquilo que lhe é ofertado, bastante é, desde que seja transparente lume. Sem estereótipo, por favor, sem número e quantidade, eu quero é propriedade, categoria e classe. Preciso mesmo é vontade, é gesto humano, sentimento e lógica de fatos. Me desculpe meu grau excessivo de controle, a aspereza das palavras, o ódio derramado tolamente que mal só a mim causa. Mas me falta o que fazer disso tudo assim jogado, então é poesia que eu despejo, esvazio meus espaços. Eu rasuro meus extremos pra me contentar com os fatos. O que mais me entorpece é o que mais tenho evitado.

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