Só não há motivo para mendigar. Depois, bem depois eu percebi isso. Mas só o passado pra mostrar essas coisas em flash back’s dispensáveis. Suave, intenso e desmedido. Mostra tudo, até o que a gente não quer ver, porque no fundo, a gente sempre soube, mas fez vista grossa por acreditar que a vida, meu amigo, pudesse ser desenhada como carta de amor com frente e verso. Pode nada, a vida é assim mesmo, é dura e totalmente fora do seu controle. Mas, além de você, ninguém mais precisa saber disso. Já disse, nada de mendigar as coisas, você tem conhecimento o suficiente pra não passar pelas mesmas provações, e coragem o bastante pra correr riscos seguros. Contraditório, mas verdadeiro, acreditemos assim. Maturidade não livra da culpa, mas alivia um pouco, muda o rumo e o fim de toda história. Sem implorar, por favor, tudo na vida tem um fim, tá aí ela mesma pra confirmar. Por mais que a gente não aceite às vezes, algumas coisas têm mesmo que ficar no passado. Não porque há uma lei natural sobre isso. Mas pela ingênua premissa de que o mundo dá muitas voltas. E talvez numa dessas voltas, você encontre o que realmente estava procurando, ou alguém leve o tombo que merece. Uma ou outra, ou as duas. Excesso é bom de vez em quando. Deixando o sarcasmo acomodado que volta e meia faz da minha sala de visita, cama, sono e aconchego, tomemos a mania de viver de outro jeito. Falando sério, acho que precisamos voltar a crer em milagres. Não divinismo, sobrenaturalismo ou qualquer outro ‘ismo’ comovente. Milagre é crer no incerto como certo, quando tudo conspira contra e Deus chega de mansinho pra você e diz: alegra-te, teu coração também, ventos novos vão soprar seus pensamentos; não chora e acredita, a vida ainda vai te trazer muito sofrimento, mas tua petulância, menina, vai mudar os rumos como rosa-dos-ventos.

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