Quando vem à tona, toda dor se move em câmera lenta. Demora mesmo, eu sei que demora, mas veja você mesmo, arco-íris não mudam de cor, rosas nunca são vistas desabrochando. Também não quero ver você, ou qualquer outro malandro de esquina. Sem gosto de sabão, as coisas vão subir de preço, uma hora muda o endereço. Sei que é loucura, mas eu não vou me adaptar. É muito vazio pra eu me afogar. E sem sorriso, olhar fugido, escondido por cabeças e ângulos. Sem preocupação alheia de história avessa, que não me ocupa mais. Porque eu ainda choro dentro do que eu perdi em mim. Mas rio meu exterior pra afastar a solidão de você.
No espelho, envelheci dez anos, matei minha criança madura, disfarcei meu adulto infantil. Criatura imbecil, o que ainda tem a perder?! Não é carência, saudade, equilíbrio, natureza ou circunstância que te povoa. É solidão de si, é procura certa de pessoa errada. Começo de fim, ou mesmo o fim. Meu cargo de ‘tapa buracos’ foi destituído. Insubstituível, nada muito efêmero, quero menos hipóteses pra superar dificuldades. Conjugar os verbos conhecer e amar, sem sentir a dor se infiltrar. Chega de me povoar. ‘Essas feridas da vida, amarga vida’, eu não quero mais pra mim.
No espelho, envelheci dez anos, matei minha criança madura, disfarcei meu adulto infantil. Criatura imbecil, o que ainda tem a perder?! Não é carência, saudade, equilíbrio, natureza ou circunstância que te povoa. É solidão de si, é procura certa de pessoa errada. Começo de fim, ou mesmo o fim. Meu cargo de ‘tapa buracos’ foi destituído. Insubstituível, nada muito efêmero, quero menos hipóteses pra superar dificuldades. Conjugar os verbos conhecer e amar, sem sentir a dor se infiltrar. Chega de me povoar. ‘Essas feridas da vida, amarga vida’, eu não quero mais pra mim.

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