quinta-feira, 22 de setembro de 2011

(8) Eu que tinha tudo, hoje estou mudo, estou mudado...


Não, o mundo não precisa saber o que se passa aqui dentro. Basta que eu saiba o que fazer com isso. Que eu me entenda quando ninguém mais conseguir. Que haja consolo, ainda que eu não consiga ser consolada. Se for pra ir embora, deixe-me apenas algumas respostas, é que gosto de gotas de satisfação, ainda que sejam escassas. Porque eu posso morrer. Pior, posso enlouquecer tentando entender porque foi assim. É muito injusto quando a pessoa não está junto e teimamos em criar o outro lado da conversa. Deixei de lado o que andei planejando, e pra ser mais sincera, ando mesmo vivendo assim, como quem anda sem rumo, aceitando qualquer dose de atenção em meio à tempestade. Porque cansei de ser sempre forte, e ser sempre eu mesma, disfarçada de soberba. A minha saudade é amor matado, como toda saudade tem que ser. E meu brilho não é mais o mesmo, porque chega a hora de trocar as lâmpadas queimadas. Fiz coisas que não faria mais, ou faria de novo, porque a gente é assim mesmo, nem sempre aprende com os erros, ou erra mais um pouco pra ter certeza. É sim, a vida maltrata quem sente demais, e quem é esperto nesse mundo, desliga logo a campainha, coloca um aviso bem grande na porta: aqui você não entra! E faz os pobres sofredores sofrerem mais, porque eles não sabem agir assim, ou não querem. Preferem isso de se despedaçar mesmo, por ser ‘mais bonito’. Que conceito de beleza, heim?! Preferir morrer sentido a não sentir e, por isso mesmo, não morrer.

É, tardiamente continuo escrevendo cartas que nunca são entregues. Escrevo canções que não são cantadas, vejo o que ninguém mais vê e me afogo nessa história mal contada. Depois de pensar em tudo, me encontro em nada e me conforto assim. Apego demais nunca me fez muito bem, por isso eu cuidei de me abstrair, quando algo me parece próximo demais, eu invento outra barreira que me satisfaça. Tomando as medidas necessárias. Só estou cuidando da casa agora, porque com essa bagunça não dá pra receber visita. E quando eu terminar, também vou desligar a campainha, e colocar uma plaquinha na porta. Não, não vai estar escrito um ‘aqui você não entra’. Na certa um: entre com a certeza de que vai valer a pena.     

3 comentários:

  1. Sabe esses textos perfeitos? Pois é, você tem o dom de fazê-los. Ameiii!!

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  2. Muito Bom, Duda, parabéns! Você tem o talento incrível de alguns poetas que, escrevendo sobre si, dizem aquilo que tanto queremos dizer e não sabemos como.

    Abraço!

    Airton Rafael da Cruz Costa

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  3. Obrigada pessoas!! Muito bom ler os comentários de vcs!!!!

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