Ouvi mais uma vez aquela música que me trazia tudo o que eu fazia questão de esquecer. Meu Deus, quantas noites mal dormidas, quantos sonhos esquecidos, quantas negações, desaprovações, descontentamentos me povoaram. Quantas vezes desejei não estar aqui, não sentir, não ver, não ouvir. Quantas vezes ignorei o fato de que tudo tem seu propósito, toda derrota tem sua recompensa. E como culpei, alimentei sentimentos ruins. Troquei alegrias por dúvidas, e assim destruí o encantamento das coisas ao meu redor. Como duvidei e desacreditei da vida. Das pessoas. De mim mesma. Como esperei, em vão, mudanças minhas que nunca apareciam. E baixei a cabeça, tapei os ouvidos, sufoquei meu grito de socorro por que sempre fui forte. Ou pensei que fosse. Nunca fui, me disfarçava daquilo que queria ser, me vestia de uma verdade falsa. Mas fracos todos nós somos, de corpo, de vontade ou de espírito. Me distanciei do que me fazia bem por pensar que não precisava mais. E, oh Deus, o Senhor sabe o quanto eu precisava, o quanto essa necessidade consumia o ser humano que existia em mim, o quanto essas ausências me tornavam uma máquina. Como meu coração ficou vazio, meu ser debilitado e sem rumo, esperando cura de onde não vinha. Porque tempo não cura nada, é como um analgésico que traz alívio passageiro. A cura, quem diria, está tão próxima e ao mesmo tempo tão difícil de ser encontrada. Dentro de nós, escondida como quem brinca de pique-esconde, receosa em ser a última encontrada. Curiosa como sou, encontrei-a outro dia, cá num canto, meio empoeirada e com aquele ar de antigo. Tomei-a nos braços, mas não cuidei de usá-la às pressas. Uma dose a cada dia. Tenho feito isso há mais ou menos um mês. E coisas boas têm acontecido. Ainda tenho escutado a mesma música, mas hoje, pela primeira vez, aquela sensação não me veio mais. E que ‘assim seja’ daqui pra frente.

Nenhum comentário:
Postar um comentário