segunda-feira, 13 de junho de 2016

Segunda-feira.

"Depois do que eu já andei
Depois do que eu tenho que andar
Quem sabe outro dia eu te encontre em outro lugar."
(Segunda-feira, Esteban)

  Sonhei com você, Zé. E você sabe o quanto isso me afeta. O quanto o tempo e a falta de notícias me abala. Eu sei que a culpa é minha. Eu fui embora. Cortei o último elo do vínculo que nos unia. Sei que não retornei suas ligações quando deveria (e até queria). Sei que faço questão de me esconder e até parece que eu quero mesmo que me esqueça. Mas a verdade é que sou eu quem não esquece, ainda que minhas ações provem o contrário.
Mas como eu disse, sonhei com você, e foi mais uma daquelas tentativas frustradas de acertar as coisas entre a gente. E outra vez eu não consegui, pois me recordo bem o momento exato em que perdi mais uma vez a paciência com você, a fé na gente, e parei de alimentar essa esperança inútil de que uma hora tudo ia se ajeitar. Porque as coisas já se ajeitaram, não é?! Só que não foi do meu jeito. Você está aí do outro lado fazendo a vida acontecer. Eu ainda estou parada naquela falha insuperável que me fez perder o gosto pela vida.
Não que eu te culpe. Sei que não posso fazer isso. Mas eu queria uma explicação. Uma nota de satisfação para, quem sabe assim, transpassar esse fato insuperável. Eu ando cansada de todas as escolhas que fiz, e todas as cobranças que se seguem. Me sinto velha demais para ousar na vida e mudar o caminho, ao mesmo tempo em que não enxergo outra saída.
Eu acordei com medo, triste e sozinha, como há muito eu me sinto, mas tento não transparecer. Hoje eu quis morrer de novo, Zé, mas de verdade, sem as metáforas do escritor e seu amor não correspondido. Desejo a morte não por que a falta de amor me afete, o que me afeta é a vida, e o caminho que ela resolveu seguir.
Quero desistir porque estou cansada disso tudo, e porque quero descansar sem me sentir culpada. Sem ser julgada e ultrajada. Aquela dúvida cruel que eu trazia na alma só tem me mostrado o quanto minha teimosia me causou mal. Eu não quero nada disso que consegui, Zé, eu só quero ir para bem longe de tudo aquilo que me tornei.
As pessoas ao meu redor não me entendem, me cobram respostas que não sei dar, me dizem para ter fé e esperar o tempo certo. Mas a verdade é que esse tempo parece que nunca vai chegar. Eu deixei de acreditar, Zé. Ando descrente de tudo. Me diz, tem mesmo um jeito de continuar se penso dessa forma? Eu sonhei com você, seu jeito seguro e despreocupado de ser quem é. E isso só piorou as coisas aqui dentro. Por isso eu acho que não tem mais jeito, Zé. Não acho que encontrarei solução nessa vida. Será que tem?!

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