terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

"Como é perversa a juventude do meu coração...

...Que só entende o que é cruel, o que é paixão."
(Belchior)

    Terrível o florescer humano, Zé, que nos faz perder um pouco a doçura. Nos obriga a sermos ruis e a sofrermos calados. Adoecemos em nossas existências. Matamos de si para não cometermos homicídios. Precisamos cada vez mais cedo de drogas que nos façam dormir ou nos mantenham acordados para a realidade. Pagamos um preço alto por tudo o que falamos e fazemos, e amargamos no azedo do ressentimento daquilo que deixamos de fazer e dizer.
  Perdemos mais noites de sono e minutos da vida tentando justificar os erros e argumentar os acertos, quando simplesmente poderíamos deixar a vida fluir. Mas ela não flui, Zé. Precisa de nossa força propulsora de sonhos e alcances, que muitas vezes alcança bem menos do que o esperado.
    Ai, Zé, tão difícil ser certo nesse mundo que se mostra tão torto, que eu começo até a duvidar da verdadeira felicidade e se ela é realmente tudo isso que a gente acha que vai ser. Mais difícil ainda é matar essa vontade de querer descartar tudo o que já foi e começar do zero. Talvez desse certo, talvez compensasse, talvez agora a gente já não erre mais.
    Besteira, Zé, a vida não é nada além disso mesmo, uma sucessão de erros que a gente comete na nossa ânsia de acertar. Hoje eu só queria que ele pensasse um pouco, mas quem acabou remoendo a vida fui eu, deixando toda frustração acumulada escorrer pelo rosto. Borrei o rímel, mas, mais transfigurada está a alma. Me sinto doente, Zé, e isso já faz um tempo. 
  O que a gente faz com o tempo pouco de quem ainda precisa de outra vida pra realmente começar a viver?! E eu me pergunto se as pessoas ainda pensam, Zé, assim como eu faço. Será que ser a gente também faz de nós doentes de si?!

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