Piloto Automático - Supercombo
E
mais uma vez eu esbarro na minha vontade de ser maior. Não sei, mas
toda vez que tento refletir um pouco mais sobre tudo o que já passei
e sobre tudo aquilo que pretendo passar, me dou conta do quão
pequena sou. E como essa pequeneza me incomoda.
Ontem,
depois de um diálogo que nem de longe eu gostaria de ter vivido,
porque a gente sabe que, quando menos queremos uma coisa, mais o
acaso se organiza para fazê-la acontecer, me dei conta do quanto
minhas mágoas ainda pesam na pessoa que me tornei. E não é
proposital, ocasional. Só eu sei o quanto tenho trabalhado para
deixar passar aquilo que nunca passa.
Então,
se você tem uma fórmula mágica para fazer a gente superar os
fatos, me explica como faz, porque o tempo tem sido meu maior
inimigo. Porque as pessoas ainda são feridas abertas e a gente não
consegue disfarçar a dor quando ela supera o suportável.
Os
dias têm sido insanos e inabitáveis. As vontades continuam muitas,
mas cada vez mais me dou conta de que a vida é feita, em quase sua
totalidade, de puro cumprimento de rotina. É como viver no piloto
automático. Quando você se dá conta, a semana passou, o mês
acabou, o ano já é novo. E você continua com os planos da década
passada.
Não
sei você, mas a impressão que tenho é a de que estou tão atrasada
o ponto de ser melhor desistir do que recuperar o tempo perdido.
Porque, no fim das contas, não dá mais pra recuperar. E não me
venha dizer que tenho uma visão exacerbada das coisas. Isso passa
longe do drama. É constatação. Acordo atrasada todas as manhãs, e
vou dormir com a certeza de que perdi tempo demais naquilo que não
me acrescenta em nada.

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