Me
ajuda com os últimos percalços, Zé. Eles têm me preocupado mais
do que o previsto. Não estou nem um pouco preparada para encarar os
fatos. Tenho adiado a tomada de qualquer decisão importante nesse
período crítico da vida. Fica difícil não acreditar em inferno
astral desse jeito.
Sei
que ando atrasada em relação à maioria da população vivente.
Acredite, ainda não me perdoei por ter ficado para trás. Mas, como
não sabia ao certo o que queria, não me obriguei a cometer o mesmo
erro do passado. Ainda pago com sangue.
Acho
que finalmente consigo enxergar aquilo que quero ser lá na frente,
Zé. Mas me falta muito para chegar até lá e algumas coisas são
primordiais. Dependem muito de mim, mas dependem muito mais da minha
força de vontade. Tenho tido muito pouca ou quase nenhuma.
Ando
com a fé abalada, Zé, triste demais constatar isso. Parece que
metade de mim anda morta, perdida. A outra metade cumpre a rotina da
vida. Não acho que me falte tempo, mas sim coragem de conversar com
Deus. Sei que não tenho cumprido com fidelidade minha parte do
trato.
Mas
não desisto, Zé, nem posso, você mesmo me assegura disso todos os
dias. Sei lá, acho que eu só preciso de uma nova leva de motivos
para acreditar mais. Ando cansada e convencida dos últimos que me
foram dados.
Preciso
de mais motivação, Zé. Talvez a vida que eu tanto quero me obrigue
a fazer mais para alcançá-la. Mas eu não pretendo me obrigar a
ponto de não dar conta, isso não. Quero medida certa de tudo, Zé.
Tenho que fazer certo pra poder dar certo lá na frente. Será que
você me entende?

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