quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Cronograma.



      Eu tenho planos para uma vida lá na frente. De rotina cumprida à risca. Horário de almoço, caminhada às seis da manhã, jornal logo cedo, correspondência endereçada. Diarista às sextas. Análise no fim das quartas. Lista de supermercado, feira livre nas manhãs de domingo. Bater ponto, sair mais cedo, compensar depois, hora extra.
      Flores nas manhãs de terça, visita ao veterinário, fila de espera, pagar as contas na segunda. Oswaldo no rádio do carro, frases de Belchior nas paredes da sala, Maria Rita enquanto escrevo, Fagner na cozinha. Dormir mais tarde do que de costume, acordar antes do tempo.
    Férias a programar, separar fotos da última viagem para revelar, guardar discos, perder arquivos. Fazer backup de emergência. Reorganizar as roupas por cor, doar o que não serve, emagrecer, separar as toalhas. Planejar faxina para o fim de semana, pedir yakisoba no delivery, dormir no sofá depois de um filme sem fim.
    Ser acordada com um beijo, separar a roupa para lavanderia, brancas separadas das coloridas, comprar pão de queijo no fim de tarde chuvoso numa quinta feira de saudade, rever os amigos, quebrar a promessa dos que marcam e não cumprem, não atrasar, nem antecipar as coisas.
     Por em dia as leituras do ano, reprisar as séries do semestre, resgatar os livros emprestados e não devolvidos. Cortar o sal, diminuir o açúcar, trocar o chocolate por uma fruta – não, isso não. Horário marcado no salão, unhas impecáveis, vestido novo, sapato também. Jantar à luz de velas, presente de aniversário, conversa ao pé do ouvido, amor pra noite inteira.
     Buscar o filho na escola, futebol às 17:30, inglês, espanhol, violão. História antes de dormir, medo de escuro, noite repartida. Domingo de preguiça, almoço planejado às pressas, um samba qualquer na rádio, danças descompromissadas na sala de jantar.
    Fotografia no porta-retratos da mesa do home office. Foto do casamento, primeiro aniversário, festa junina na escola, férias na praia, tudo amontoado e bem disperso na sala de estar. 
    Disperso. Minha vida anda tão dispersa, faz tempo que não vivo. Planejo, todo tempo. E espero. Quem sabe ela chegue, quem sabe. Vai que aparece. Nem sei.


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