Os anos têm
passado como era de se esperar. Não fosse a insatisfação que vez ou outra me
acomete no decorrer do mês, diria que em nada me incomoda o passado. Planejo
tanta coisa que às vezes me pergunto se terei realmente tempo para tudo. Ao
mesmo tempo, percebo que o futuro almejado hoje não chega nem aos pés daquilo
que já quis um dia.
Incrível
mensurar a mudança que em mim aconteceu sem que eu percebesse. Sempre vi pressa
na vida. Ainda vejo, mas em doses bem mais controladas. Queria tudo para ontem
e fazia de tudo para conseguir. Hoje não, gosto de degustar as distâncias.
Medir os espaços, compreender os laços. Gosto de revisar o plano mesmo estando
na metade, fazer anotações e perceber mais tarde o que não era visto. Aprendi
que entre o hoje e aquilo que você quer muito existe uma distância que só pode
ser vencida no tempo certo.
Aprendi também
que me afastar do que não me faz bem pode me fazer um bem danado. Que as regras
de boa convivência, considerações, moral e bons costumes não servem de nada se
só te causam mal, e por isso mesmo a gente deve abrir mão delas quando for
necessário. Não vou atender uma ligação por educação, nem vou deixar recado,
detesto telefone e, mais ainda, ser importunada pelo passado. Gosto de ser sozinha, e admiro quem é capaz de
respeitar minha solidão.
Não vejo nada
de ruim em ser só, aliás, acredito que, ao menos uma vez na vida, precisamos
ser só para então sabermos ser do mundo. Solidão tem muito a ver com egoísmo,
assim pensam as pessoas, eu penso que saber ser feliz só é não só se preocupar
com você, mas com a melhor forma com que você pode contribuir para o mundo ou
para a vida de alguém.
Antes, eu
queria muito ser especial e essencial. Talvez insubstituível, inesquecível.
Hoje, peço a Deus para nem ser lembrada por muitos. Mas lembro de todos aqueles
que me quiseram bem ou mal. Rezo por eles todas as noites. É mais um
compromisso firmado com minha consciência tranquila, não vejo mal em pedir o
bem. Acredito que as coisas só começam a dar certo quando você perdoa os erros,
seus e dos outros.
Tento evitar a
saudade, e por vezes eu tenho quase certeza de que ela se confunde com a
curiosidade. E sempre que ela insiste em visitas indesejadas, eu me obrigo a
lembrar de todos os motivos que me fizeram chegar onde estou. Não era esse o plano
inicial, também não pretendo me demorar mais do que o necessário nessa
situação.
Os anos passaram
e me ensinaram muitas coisas. Também tiraram muito de mim e julgo essa uma
perda irreparável. Mas eu aprendi, e como, nesses últimos anos. Ser bom o tempo
inteiro te proíbe de ser ruim uma vez na vida. E, acredite, mais cedo ou mais
tarde, você vai se decepcionar e decepcionar alguém. Vai se arrepender e
desejar voltar no tempo. E não há receita certa, nem isso de ser bom com todo
mundo. Seja bom quando for possível, mas, acima de tudo, seja justo todo tempo.
Uma consciência tranquila vale mais do que qualquer grande conquista.

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