A verdade é
que ninguém quer assumir que fracassou. Quase nunca temos coragem suficiente
para dizer que acabou, dar um basta, mudar os planos, ou começar de novo.
Ninguém assume o quanto um erro pesa, e a
gente tem vergonha mesmo, esconde, finge que não. Errar dói. Assumir o erro e
recomeçar dói mais ainda. Porque a dor vem em dobro, e o esforço também, além
do medo de reincidência. Porque os julgamentos sempre acontecem e se procura um
culpado, um motivo, um mínimo detalhe desapercebido, mesmo sabendo que no
fundo, bem no fundo, foi só excesso de vontade. Em ser bom, sair bem, ser
feliz, quem sabe.
A gente erra. Erra sempre. Erra porque é
humano. Erra porque assim é que se aprende. Mas, mais do que errar, a gente
teme. Teme nunca conseguir o que desejamos. Ou perder o que já conseguimos.
Confesso que
morro de medo de estar muito velha para conquistar novos bons amigos e amar alguém.
Queria estudar outra língua, fazer mais uma faculdade e quem sabe até escrever
um livro. Mas eu tenho medo. Medo de errar de novo. Medo de não acertar nunca e
continuar a viver à sombra de tudo aquilo que deixei errado em minha vida.
Sim, é difícil
dizer que acabou. Reconhecer que, ainda que existam resquícios do que foi,
nunca mais vai voltar a ser. Passou. Tudo passa nessa vida. Algumas coisas
passam mais. Outras viram passado e, vez ou outra, passam para fazer uma
visita. A gente erra, a gente teme. E o que sobra no fim das contas é a parcela
de passado que você carrega nas costas.

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