Isso mesmo, Zé, você não leu errado. É da vida que tenho mais medo. Durmo inquieta e acordo apavorada com a possibilidade de existir por mais um dia. Não sei bem o porquê, mas faz tempo que tem habitado em mim essa vontade de me desfazer da vida e do que ela tratou de ser pra mim. Veja bem, eu não tenho lá muito do que me orgulhar. E, do pouco que tenho, encontro mais problema que solução. Parece que, a cada algo mais, pesa mais em mim o fato de ser eu. Será que você me entende, Zé? Ou alguém na face da Terra é capaz de conseguir isso? Eu só queria sumir. Desaparecer. Sem alarde. Sem tragédia. Sem manchete de jornal ou números estatísticos. Eu só queria provar um pouco dessa paz que as pessoas me dizem ter, ou fingem. Não sei, mas é que, pra mim, elas fingem tão bem. E eu já ando cansada de tentar. De esperar. De mudar. Mudar cansa. Crescer dói. Existir, por si só, já é uma penitência muito grande. Me ajuda, Zé, eu só tenho você para contar. As pessoas me dizem que meu medo é tolo e sem fundamento. Que é só mais uma das minhas tantas crises. E eu ainda tenho medo do amanhã, Zé. Não quero vê-lo. Mas, ao mesmo tempo, me sinto incapaz de fazer qualquer coisa a respeito. Desliga a chave geral, Zé. Provoca um curto circuito. Faz parar isso tudo, ou zera o jogo de uma vez. Só não me deixa mais esperar tanto que a noite seja eterna.
"Deixa, deixa, deixa eu dizer o que penso dessa vida, preciso demais desabafar." - Desabafo

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