E então, Zé, o ano acabou e só me resta te pedir desculpas. Desculpe-me por todas as vezes em que te matei em mim para conseguir cumprir a rotina. Sei que nunca é justo, mas, às vezes, necessário.
Desculpa a preguiça e o cansaço, por te esquecer no armário e só tarde da noite te despertar. Me desculpe por te sobrecarregar e preocupar com excesso de passado, preocupações vazias e especulações tolas de uma vida que nem é mais minha.
Me perdoe a cara amarrada, a pressa em ser alguém melhor, a falta de boas companhias e o excesso de açúcar. Não que a vida seja assim tão amarga, mas quase sempre ela nos furta uma dose generosa de doçura.
Desculpe a falta de modos, a ausência de livros e a escassez de música boa. Tenho tentado comprimir o conhecimento no calendário que teima em exceder a velocidade. Estou perdendo de lavada, e os últimos minutos têm parecido mais com uma eterna prorrogação.
Por fim, que minha ausência seja perdoada, pois hoje, o que mais sinto falta, é de tempo. Queria me dedicar a você plenamente, mas o jornal da noite já me repreende, o ano acabou e eu não fiz nem metade do que me comprometi a fazer.
Pra compensar, tenho uma surpresa para essa semana. Espero que o mercado publicitário e a malha aérea estejam a nosso favor. Espero te alegrar e te recarregar com energia suficiente para enfrentar o próximo ano. Haja fé. Que a angústia que nos corrói por dentro se transforme num futuro recompensado. E que eu possa dividir com você as glórias de todo sofrimento vivido. Mais que isso, haja amor e vontade em todos os próximos dias de nossas vidas. Amém.

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