Meu cachorro morreu, Zé. Não que isso seja de todo um triste lamento. Pra falar a verdade, só chorei o meu luto ontem, num intervalo de 5 minutos. Não sei sentir a tempo, Zé. Sou sempre tarde demais nas minhas dores. Parece que adio sofrimento, ou sofro já quando não aguento mais a dor em mim. Não sei, e nem quero, pra ser mais sincera.
A dor, pra mim, sempre foi algo constante e eterno. Até na alegria. É que toda alegria já prevê um fim, e o fim quase sempre é triste. Também não gosto da vulnerabilidade. Sofrer escancara nossas portas e janelas, ficamos expostos ao sol e às intempéries, e então somos menores aos olhos do mundo.
Mas o que tem me doído é ser grande, Zé, veja só. É acordar sem querer, por preocupação. Fazer planos, traçar metas, duelar com outros tanto iguais em busca daquilo que julgamos viável e bem sucedido. A sombra das coisas me assusta. O medo de ser o que querem que eu seja se alastra nas paredes de mim. Tenho uma insônia sem fim, mas aqui também habita um cansaço de ser o que almejam e eu já não quero mais.
Sou hoje o que deu para ser. Não crio mais expectativa. Sinto falta do que fui. Do que perdi. Do que, com certeza, não terei mais. Estou cansada dessa batalha por espaço. Tenho desejado muito, mas já faz tempo, e tenho percebido que o melhor a ser feito é deixar. Deixar ir, deixar ser, desaparecer...
Vou sentir falta, hoje e talvez sempre. Vou lembrar também, mas isso já me é comum. Não quero sonhos, Zé. Não prevejo grandes alegrias nem repletas realizações. Acreditarei no tempo e suportarei as circunstâncias. A canção de hoje me faz lembrar o que já lhe disse outras tantas vezes. As melhores e as piores coisas da vida vêm de graça para nós. E eu aprendi. Nada vem sem um custo. E tudo que vai, leva um pouco de nós também.
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