segunda-feira, 12 de maio de 2014

Sobre o depois.



   Calculando a velocidade da luz, gostaria de poupar tempo enquanto faço o calendário correr, Zé. Já se passou uma quantidade considerável de dias desde o fim, mas a impressão que tenho às vezes é de que foi só o começo. Como se começa depois do fim?! Tudo bem, Zé, lembro-me bem do que você me disse, ainda existem pendências que obstam essa conclusão drástica do destino. Alguns vínculos, por mais ralos que sejam, permanecem pela fútil existência da moral e dos bons costumes. Vale também a premissa de que nunca se sabe quando vamos precisar de alguém, então, manteremos o mínimo exigível e suportável dessa situação medíocre. Zé, a balança acusa valores nunca dantes navegados, os vizinhos e parentes cobram o que nem eu mesma tenho consciência de precisar tanto assim. Me encontrei nessa história de limbo. Não sei, tenho adiado para o último tempo a decisão mais acertada. Ao menos uma vez na vida quero me valer da premissa de que ainda tenho muito tempo pela frente e não devo atropelar as coisas. Eu sei, você vai rir, não é Zé, logo eu? Quem diria? Mas é isso mesmo que tenho pra hoje, isso e a canção de Marisa, a fadiga depois de um dia inteiro lidando com termos e prazos, fundamentos e alegações, nessa vida que ousei escolher por soberba e que hoje consome o melhor de mim da pior forma. Vai entender, eu já nem entendo, nem tento. Tenho planos demais pra lá na frente. A gente se esbarra, Zé, você tem lugar garantido na carteira ao lado. Por último, desejo que o mês acabe com a pressa devida, mas contemplando tudo o que lhe é de direito – e que haja tempo pra mais observações-, que logo chegue o frio, e que possamos desempacotar os agasalhos e os novos afagos. Que o começo desaponte e que o próximo capítulo aponte logo o norte - a sorte da vez.

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