quarta-feira, 2 de abril de 2014

Não sou. Não sei.



      Que pena, será que estraguei tudo por pensar demais?! Não que isso nunca tenha me ocorrido. O destino me olha com cara de quem já não aguenta mais esperar. “Será mesmo que ela não vê que isso cansa?!” Não faz diferença, vinte, trinta, de que adianta ficar velha e não se encontrar em momento algum?! Antes só que por demais acompanhada. Pedra sobre os vazios, quando estamos escassos, pesamos mais pra sustentar o corpo. Exijo respeito e uma dose excessiva de sossego. Não quero lembranças. Não quero abraços falsos pra daqui a um tempo. Se for preciso mudar de calçada, eu mudo. Rio das histórias de amor rosado que contaram nos últimos tempos. Me obrigo a esquecer as promessas regadas de boas intenções, feitas num tempo em que acreditava nisso de ser feliz. Reservas, só financeiras, para uma morte tranquila. Não quero ser incômodo. O fato é que os dias passaram e eu ainda não me recompus. Nem do que fui, nem do que passei a ser. Eu tenho medo. Só quero um quarto fechado, uma janela, meus livros e uma canção de vanguarda. Eu não sou nada, eu nunca fui. Fui maluca. Agora não sei. Não sei ou não sou. A vida, pra ser bem vivida, começa cedo. E eu sempre postergo meu início pra amanhã. Veja você, a falta de cuidado gera danos irreparáveis. Talvez não recupere o desleixo. Ironia, Deus, logo eu, tão trabalhada em cuidado.

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