Ah Zé, os dias têm passado numa frequência tão insensata. Não que isso seja ruim, particularmente, gosto de apressar a vida. Fechando ciclos, caindo, levantando, seguindo em frente. Mas há momentos na vida, como esse que escrevo, em que consigo sentir a vida tão perto que ela chega a me fazer cócegas. É nessas horas que me pego a pensar o que afinal levamos da vida, ou queremos dela? Faz algum tempo que tenho imbuído em mim a ideia de que o mundo por si só já tem coisas ruins demais, então não há motivo para destilar venenos e dessabores. Dizer não nos faz mudar pra melhor, e sim, há coisas na vida que não devemos falar nem a nós mesmos. Acredito piamente nas forças sobrenaturais, em conjunto, num místico de pesos e fluxos, regendo os caminhos, traçando rotas, cruzando estrada e desalinhando pontes. Quantos caminhos cortam o meu caminho? Quantos abraços de despedidas e sorrisos de reencontro vão povoar minha mente? A quem incumbir a conta da saudade? Sinto uma necessidade enorme de gritar àqueles que amo o quanto eles me são essenciais. Mas como todo humano pregresso, temo a ideia de me passar por boba. Quanta coisa boba na vida é boa também, heim, Zé!? Sabe, acho difícil aceitar alguns estragos que o acaso do destino arremessa contra a gente. Gostaria de entender o motivo de algumas dores, tão grandes, atingirem pessoas em momentos tão sagrados. E qual momento não é sagrado em viver?! Zé, não sei se daí você enxerga a áurea branca que agora me povoa. Também acredito que as palavras não sejam tão cristalinas e, muitas vezes, as entrelinhas não são decifradas. Quem mais sabe da magia do poema que o autor? Eu sei, Zé, mas eu queria que você também soubesse. Que todo mundo soubesse das coisas que aqui cabem. Passa o tempo, viram-se as páginas. No fim do dia, somos todos páginas viradas.

Nenhum comentário:
Postar um comentário