Não Zé, não existe santo no mundo pra me convencer de que essas coisas acontecem. Confesso que, há tempos, não tenho tido a força necessária e a dedicação merecida para aquilo que desejo alcançar. Sim, tenho transportado a postergação como pena merecida por gostar de clichês. Talvez eu tenha mesmo estagnado meus dias e cultivado o conformismo virago de quem muito tentou e nada conseguiu. Despedi pessoas dos seus cargos, sem direito a recurso. Decisão de primeira instância, não venha me encher com argumentos descabidos e mentiras de lavar a alma. Sou enfática em minhas sentenças, mais fiel à opinião que ao sentimento. Em que pese ser amor, não titubeio em dizer que não gosto mais. Ou não quero, ou não me importo ainda que doa toda vez que avisto. Hoje me assusta saber que doem mais as dores dos outros do que as minhas. A manchete me fez desabar diante da fugacidade humana. Zé, primeiro chorei, senti que o mundo não me era útil em nada. Depois tive pena, desejei não acordar por anos. E já nem sei lhe dizer se quero mesmo o que penso ou se esse me parece apenas o caminho mais certo. Eu não tenho certeza de nada, Zé, e isso acaba comigo às vezes. E há dias em que desejo a aprovação da pena de morte nesse país de qualquer um, assim como acredito na reforma política pra nos tirar da lama. Não quero amargar o sonho de ninguém. Não quero mudar o que se tem de bom, nem desmerecer. Mas enlouqueço aos poucos toda vez que me vejo aqui, escrevendo mais uma carta como tantas outras, sem destino, pelo simples fato de não conseguir dividir isso com mais ninguém. E eu nem sei dizer se pra mais alguém é assim também.
segunda-feira, 14 de outubro de 2013
Mais alguém?
Não Zé, não existe santo no mundo pra me convencer de que essas coisas acontecem. Confesso que, há tempos, não tenho tido a força necessária e a dedicação merecida para aquilo que desejo alcançar. Sim, tenho transportado a postergação como pena merecida por gostar de clichês. Talvez eu tenha mesmo estagnado meus dias e cultivado o conformismo virago de quem muito tentou e nada conseguiu. Despedi pessoas dos seus cargos, sem direito a recurso. Decisão de primeira instância, não venha me encher com argumentos descabidos e mentiras de lavar a alma. Sou enfática em minhas sentenças, mais fiel à opinião que ao sentimento. Em que pese ser amor, não titubeio em dizer que não gosto mais. Ou não quero, ou não me importo ainda que doa toda vez que avisto. Hoje me assusta saber que doem mais as dores dos outros do que as minhas. A manchete me fez desabar diante da fugacidade humana. Zé, primeiro chorei, senti que o mundo não me era útil em nada. Depois tive pena, desejei não acordar por anos. E já nem sei lhe dizer se quero mesmo o que penso ou se esse me parece apenas o caminho mais certo. Eu não tenho certeza de nada, Zé, e isso acaba comigo às vezes. E há dias em que desejo a aprovação da pena de morte nesse país de qualquer um, assim como acredito na reforma política pra nos tirar da lama. Não quero amargar o sonho de ninguém. Não quero mudar o que se tem de bom, nem desmerecer. Mas enlouqueço aos poucos toda vez que me vejo aqui, escrevendo mais uma carta como tantas outras, sem destino, pelo simples fato de não conseguir dividir isso com mais ninguém. E eu nem sei dizer se pra mais alguém é assim também.
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