
E os dias têm passado. De uma forma como eu nunca havia previsto. A semana com a qual eu tanto me preocupara em começar já terminou. E não, não vejo com a mesma frequência ou sinto com o mesmo pesar o que ficou por ficar, por assim dizer que seria pra sempre quando a gente quer que seja. Nunca é, ou nunca há vontade suficiente pra ser. Não é como aquela canção dos anos 80 em que você põe o disco pra tocar e sente da mesma forma, não basta procurar nas gavetas e achar escondido, empoeirado, amarelado pelo tempo. Essas coisas também partem sem que a gente veja, vão embora com a última faxina, com a falta de espaço, com a raiva súbita ou a vontade mórbida de não querer mais. O que permaneceu também em nada se parece com o que foi deixado. As cores estão numa escala monocromática, um tanto sóbria ou sombria, alguns diriam. Os cabelos estão logo abaixo dos ombros, como se não quisessem lembrar o quanto agradam os longos. Os anos marcaram as linhas no canto dos olhos, no avesso da alma. O sorriso não é tão frouxo, nem farto. Guarda-se como tesouro pra algum desconhecido que não perceba o amargo por trás das palavras. Os livros têm preenchido a ausência de si e a falta de ser. Os dias também correram do outro lado da linha, foi o que fiquei sabendo, ou o que a vivência me permitiu ver. Outra risada estridente ao ouvido pode fazer bem, eu não saberia dizer, já que aqui só me restaram um blues e a camisa larga. Mas tenho dado espaço a toda vontade louca e desvairada, aguçado os instintos, sufocado os perigos e confrontos do meu eu relutante, capenga, que faz jus ao estereótipo. Outra taça, outro dia pra apagar, outra música pra acalmar no peito o coração embriagado. Sim, eu tenho envenenado o vagabundo coração por todos os motivos errados. Tenho silenciado as vontades a tal ponto de só permitir a que me diz pra nunca mais querer ver, conviver, reviver. Se me lembro? Muito, de todas as coisas que não devia. Mas há uma enorme pedra no caminho e, francamente, não tenho forças pra movê-la. Ou talvez eu não queira mesmo fazer, porque não vale o esforço. Melhor assim, melhor pra mim, a história desse jeito. Afasta de mim todo o mal que o dia pode trazer, Deus, que do arrependimento eu tenho cuidado pra não me proibir de viver.
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