Sem
a crise que os anos podem trazer, me vi assim, reconfortada em meio aos surdos
clarões e trovoadas. Não é de se estranhar sentir-se assim tão segura quando o
céu ameaça desabar? Talvez, depois de tanto aguentar a ferro e fogo as duras
penas que a vida impõe sem muito critério, o contingente chuvisco de fim de
tarde me pareceu assim convidativo a ficar comigo mesma, ler um bom livro, rir
apesar do mais, e constatar que logo passa, e não passa de lembrança. Que tudo
o mais diferença não faz e nunca fez. No fim das contas, vai ser sempre isso.
Os dias que vivi, os livros que já li e os que ainda tenho para ler. Outra canção sobre a vida e um tempo pra
pensar: que vida é essa que eu ainda tenho pra viver?

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