Eu
sei Zé, quer dizer, todo mundo sabe. Amor não se pede. É uma pena. É sim, Zé,
porque você não sabe o que fazer com isso tudo que guarda. E guarda pra quê, se
não tem serventia? Não adianta Zé, não adianta ligar às 2 da manhã e derramar
toda raiva, mostrar o quanto está sofrendo. Não adianta pedir pra voltar porque
não tem volta. Não tem mais jeito se
aquela música de vocês agora te faz chorar, e a doçura de um chocolate não
ameniza em nada a amargura no peito. Os pesadelos são mais constantes e a vida
real é uma sequência de torturas. Mas eu sei Zé, e como sei, amor não se
impede, não se implora. Só não acho justo. Nem certo, nem digno. Me diz, a
gente faz o quê com o amor que sobra? Não dá simplesmente para oferecê-lo a
outro alguém. Não se apaga, nem se esquece de uma hora pra outra. E é só isso o
que consigo fazer, um monte de versos amargurados e embebidos de veneno, altas
doses de amor e ódio. Não dá pra substituir, comprar outro, ignorar ou
esquecer. Amor não se pede, amor se dá. Só não acho justo isso de desperdiçar.
É triste saber que algo faz falta, saber que não tem ida nem volta, mas amor
não se pede, Zé, eu sei, você sabe. E ele também.

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