terça-feira, 27 de novembro de 2012

Carpinejando.



                Adeus, você, logo, logo a academia deixará de fazer parte de nossas vidas. Sairemos de uma vez por toda da vida um do outro. Mudarei o corte de cabelo, o jeito de vestir que tanto você implicava. Você se tornará ainda mais arrogante, talvez deixe a barba crescer, ou arrisque um cavanhaque, sei que te agrada. Não mais andaremos abraçados na volta pra casa. Nem mensagens de boa noite serão necessárias. Meu celular passa o fim de semana desligado mesmo, não faz diferença. Meus dias serão mais longos, minhas sextas feiras insuportáveis. Não lembrarei de você durante a partida de futebol. Troquei os discos também, te assustaria saber o que estou ouvindo enquanto escrevo isso. Seu livro está esquecido na última prateleira da minha estante. Não tornarei a abri-lo. Nunca mais. Adeus pro amor que eu tinha por você. Adeus, porque a vida nunca nos quis eterno, nem juntos, nem perto. Não mais me incomodarei com seus comentários sobre eu estar magra demais ou suas desculpas esfarrapadas pra não me ver. Nem com seu mau humor pelo msn. Sua ausência de beijos e atenção, de carinho. Também não mais te incomodarem com minha acidez, nem te farei vítima da minha profusão de hormônios. Não esconderemos mais nada. Não preciso mais me preocupar com os comentários vazios e as caras surpresas quando falo da gente. Não tem mais “a gente”. Nunca teve, adeus pras minhas ilusões também. Desviarei sempre que mencionarem uma afinidade nossa. Vou ignorar as colocações de nossos amigos também, eles não sabem de 1/3 da verdade. Não encontrarei vestígios seus no meu futuro, e não faço questão alguma de ser lembrança do seu passado. Nunca saberei ao certo se cometi algum erro, ou se desisti cedo demais, embora você tenha me dado provas concretas de que vi demais onde não tinha nada. Enfim, nunca saberemos se poderia dar certo, porque nunca permitimos mais que o pouco que foi. Na minha primeira recaída, tentei inutilmente restabelecer laços. Da segunda, exclui seu número da minha agenda, embora soubesse de cabeça. Da terceira, procurei outro abraço. Mas não te procuro mais em outros braços, procuro-os pra ver se me acomodam bem. Não pergunto mais de você aos conhecidos, aliás, proibi-os de mencionar seu nome. As recaídas agora são espasmos, enjoos, textos ensaiados, pingando sangue e desagrado. Adeus, amor (de um lado só). Não serei a causa de suas insônias, nem a mãe dos seus filhos. Mudarei de assunto quando citarem o seu nome. Adeus, já é tarde.  

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