Ainda
que algumas ligações pareçam por demais necessárias, nunca são às quatro e meia
da manhã. Muitas vezes, nós apenas precisamos ouvir, seja uma frase
monossilábica, seja um ensaio de discurso mal resolvido, de amor mal-acabado,
de saudade, de tédio, vingança, alegria de copo e ressaca de domingo. Ninguém
está totalmente vivo se nada sente, até derrota é melhor que não sentir exatamente
nada. Outro dia amanhece, nublado como os pensamentos mais frescos pela manhã.
Quem é o seu primeiro pensamento do dia?! Perguntas como esta são feitas pra
nunca serem respondidas, por que, convenhamos, nenhuma resposta caberá na
medida certa, nenhuma é suficientemente ideal e perfeita. Nada nem ninguém.
Nenhuma dose perfeita de álcool ou veneno, nem vida, nem morte. Certas coisas
não se encaixam ou se resolvem, e não há nada pra se fazer. Querer até que a
gente quer muito. Fazer é mais pesado. Estamos sempre aguardando do outro lado
da linha. A ligação nunca completa. Talvez nunca venha a completar. Certos
números nunca recebem chamada. Ou não existem, como sempre me dizem antes da ligação cair.
