quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Inexistente



     Ainda que algumas ligações pareçam por demais necessárias, nunca são às quatro e meia da manhã. Muitas vezes, nós apenas precisamos ouvir, seja uma frase monossilábica, seja um ensaio de discurso mal resolvido, de amor mal-acabado, de saudade, de tédio, vingança, alegria de copo e ressaca de domingo. Ninguém está totalmente vivo se nada sente, até derrota é melhor que não sentir exatamente nada. Outro dia amanhece, nublado como os pensamentos mais frescos pela manhã. Quem é o seu primeiro pensamento do dia?! Perguntas como esta são feitas pra nunca serem respondidas, por que, convenhamos, nenhuma resposta caberá na medida certa, nenhuma é suficientemente ideal e perfeita. Nada nem ninguém. Nenhuma dose perfeita de álcool ou veneno, nem vida, nem morte. Certas coisas não se encaixam ou se resolvem, e não há nada pra se fazer. Querer até que a gente quer muito. Fazer é mais pesado. Estamos sempre aguardando do outro lado da linha. A ligação nunca completa. Talvez nunca venha a completar. Certos números nunca recebem chamada. Ou não existem, como sempre me dizem antes da ligação cair.