domingo, 16 de setembro de 2012

Nada em fá-fazer.



"Faca que não corta
Mulher semi-morta

Sem cara, sem fala, sem bala, sem hora, sem ala-á"
- Caso você case

      Foi mais uma daquelas noites mal dormidas em que pedimos a Deus pro dia amanhecer. Ou terminar de uma vez. Levantei, mas deixei a mim mesma, semimorta e desolada na cama, não vai fazer muita diferença ir ou ficar em casa hoje. Esqueci-me no chuveiro pra ver se boa parte se dissolvia e fluía pela encanação. Demorei pelo menos mais um minuto em frente ao espelho e procurei dentre todos aqueles olhares vazios o resquício de coragem e ânimo. Não encontrei. Vesti-me como se fosse aquela a última vez. Arrastei-me pela cozinha, belisquei um último cookies e beberiquei o leite morno. Saí. Estranhei o fato de ventar mais cá dentro, já que a meteorologia prometia um dia ameno. Segui cabisbaixa e sorrateira, invisível em minha vastidão. Escrevi, telefonei, assisti aulas vagas e matei tempo com blues esquecidos na última play list. Liguei a tv antes de dormir pra ouvir algo além do meu silêncio. Não fez sentido. Desliguei. Fui para a cama como se não tivesse levantado. Fechei os olhos e pedi, como que em prece, como que em confissão, uma noite de sono e uma vida pra amanhecer outro dia. Outra vez. Toda a vida.