terça-feira, 4 de setembro de 2012

(8) A gente é feito pra acabar e isso nunca vai ter fim.



       Eu sinto falta dos dias em que eu era mais, sem necessitar ser sozinha. Uma música, uma conversa, quatro ou cinco minutos ao pé do telefone. Talvez mais. Um pouquinho mais de atenção e preocupação. Tudo porque a gente queria o bem. Fazia por onde as coisas ficassem bem. Mais a mais, não adiantou muita coisa. Fiquei desamparada, recostada nas fúteis verdades que me fizeram continuar. Nunca fui de ver o lado bom da coisa, mas foi essa minha única alternativa. Bondosamente tratei de amargar meu sentimento. Desgastá-lo, desmanchar em pouco mais que quase nada, que vez ou outra ainda me parece muito. Obriguei o ser rebelde e fantasioso cá dentro a castigar-se o suficiente pra não mais importunar. Tenho lutado com isso desde então. Tenho apanhado e tenho aprendido que a vida, meu amigo, requer o inalcançável de nós, muitas vezes. E precisamos nos dar conta disso no tempo certo. Certo para atravessarmos o caminho sem maiores perdas que as já causadas. Eu me perdi uma meia dúzia de vezes por crer no que os meus olhos viam. Mas há sempre outra verdade escondida no jeito em que vemos as coisas. E hoje eu as vi tão mortas dentro de si. Tão vazias. Não consegui acreditar que, por alguns dias, isso foi tudo o que quis um dia.