Eu sinto
falta dos dias em que eu era mais, sem necessitar ser sozinha. Uma música, uma
conversa, quatro ou cinco minutos ao pé do telefone. Talvez mais. Um pouquinho
mais de atenção e preocupação. Tudo porque a gente queria o bem. Fazia por onde
as coisas ficassem bem. Mais a mais, não adiantou muita coisa. Fiquei
desamparada, recostada nas fúteis verdades que me fizeram continuar. Nunca fui
de ver o lado bom da coisa, mas foi essa minha única alternativa. Bondosamente
tratei de amargar meu sentimento. Desgastá-lo, desmanchar em pouco mais que
quase nada, que vez ou outra ainda me parece muito. Obriguei o ser rebelde e
fantasioso cá dentro a castigar-se o suficiente pra não mais importunar. Tenho
lutado com isso desde então. Tenho apanhado e tenho aprendido que a vida, meu
amigo, requer o inalcançável de nós, muitas vezes. E precisamos nos dar conta
disso no tempo certo. Certo para atravessarmos o caminho sem maiores perdas que
as já causadas. Eu me perdi uma meia dúzia de vezes por crer no que os meus
olhos viam. Mas há sempre outra verdade escondida no jeito em que vemos as
coisas. E hoje eu as vi tão mortas dentro de si. Tão vazias. Não consegui
acreditar que, por alguns dias, isso foi tudo o que quis um dia.
