quinta-feira, 7 de junho de 2012

Querubins.





           Acredito que, ao menos uma vez na vida, um anjo bate à sua porta. Não, ele não vai vir como dizem as Escrituras, numa nuvem iluminada, num cavalo de fogo ou coisa parecida. Ele nos chega da forma mais sutil e imperceptível possível. E muito provavelmente só nos daremos conta de sua presença quando ele partir. Ou se ausentar por um grande espaço de tempo. Esses anjos não têm uma forma definida ou um padrão a ser seguido. Às vezes bonitos, exóticos, arredios ou desconfiados, usam disfarces perfeitos. É, Deus não falharia em algo tão imprescindível para o homem. E, ainda que o tempo passe e a vida nos modifique, sempre que nos encontrarmos teremos assunto suficiente, cumplicidade e parceria necessária para não deixar que as intempéries nos atropelem. Mas não gritaremos aos quatro ventos. As coisas mais bonitas e mais simples da vida não precisam ser vistas, nem ditas. Basta que sejam sentidas com toda intensidade que nos é permitida. Eu tenho dois. Pra ser mais exata, dois querubins. Recebi-os em momentos que a vida pedia demais de mim, percebi-os arredios e desconfiados. Dificilmente outro tipo me chamaria atenção. Mais ainda, muito pouco ou quase nada provável um outro conseguiria se aproximar. Tenho vinte e poucos anos, e dois arcanjos. E o mais engraçado de tudo é que nós nunca saberemos quando seremos o anjo de alguém. 

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