Meu amigo, eu tenho pensado, e de
fato, pensar ofende bem menos e causa bem mais efeitos colaterais. Nos
torturamos pelo simples fato de não resolvermos questões tão supérfluas.
Acumulamos vida mal vivida nas costas por medo de encarar as adversidades.
Perdemos tempo, felicidade e dias com coisas mornas, mesquinharia e alter ego
infeliz que sufoca nossa magnificência. E então precisamos chegar à flor da
idade pra percebemos o excesso e escassez de que somos feitos. Aos olhos dos
outros somos tão mais assustadores, e nem por um minuto isso passa por nossas
cabeças. Porque sempre esperamos compreensão do outro lado da linha. Mas a
telefonia não anda contribuindo em nada nesse país de dimensões continentais,
de tal forma que acabamos descontando na maldita conta, e apagando contatos da
agenda, descartando aquilo que outrora nos fora imprescindível. Mas nada nessa
vida fica pra sempre, não é mesmo? É algo que me permito repetir. Tudo fica o
tempo possível e necessário para nossas construções. Não, não culpe a visão
distorcida, o egoísmo, a inocência ou maturidade do semelhante. Nós nunca
estaremos no mesmo momento que o outro no espaço. Ainda que o tempo seja o
mesmo. Ainda que as circunstâncias que nos são empurradas definam nossas
escolhas. Escolhemos errado, perdemos a noção do limite, porque nosso sistema
não vem configurado de fábrica, então apanhamos sozinho e aprendemos a
funcionar o motor. Às vezes, me surpreende a aparência enganada. Nem tudo é o
que parece, e ao que parece está tudo certo assim mesmo. Nós não nos
acostumamos a corrigir falhas, só reagimos quando elas nos são apontadas, ou
vexadas em praça pública. Quando somos forçados a mudar, para agradar ou ser
agradado, para continuarmos no jogo deixamos pedaços, inteiros, amontados de
nós mesmos no caminho. Deixamos de ser o que mais éramos pra continuarmos a ser
quem somos. É uma lei até injusta, mas ninguém garante com total certeza que
aqui se faz justiça. Nada é o que parece.
E para tudo o que nos acontece há sempre o outro lado da moeda.

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