Das
coisas que eu quero achar, a principal é o ponto final. Ainda que eu passe uma
vida, não é justo limpar sozinha a bagunça que não é só minha. OK
psicanalistas, vocês usam teses e teorias pra explicar o homem e suas manias, me
façam um favor, um remédio pra esquecimento. Porque o espanto?! Não existem
remédios para ativar a memória, porque não o contrário?! Acreditem, certas
coisas na vida eu faria a maior questão de esquecer. Quer dizer, melhor seria
poder voltar no tempo, e assim não fazer, mas já que isso desafia leis maiores,
contento-me com uma singela ajuda de esquecimento. Vamos lá, a gente sempre
esquece alguma coisa, a chave do apartamento, a luz acesa, o livro emprestado, a
data do cartão de crédito. Deve haver um meio clínico de livrar-se das
correntes do passado. Porque eu não consigo mais aceitar as coisas sem revolta.
É por demais injusto aceitar algo porque não é modificável. Cansei de ser
sofrimento por temer ser final. Não há o que perder quando não se tem nada,
porque todo esse receio?! Foi mais término que começo, mais ausência que união,
mais vazio que inteiro, mais saudade que paixão.

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