Ah mundo vão, em que dias são
desperdiçados em horas registradas em ponto eletrônico, e vidas perdidas em
ligações interurbanas vazias. Ainda que o tempo se arraste, a gente perde muito
por falta ou excesso de medida. Os outros têm um poder dilacerante de usar a
primeira pessoa, e por assim ser, a humanidade é completa de eus e vazia de si.
Deixamos pra depois qualquer outra coisa que não envolva a primeira pessoa do
singular, amanhã ou depois, resolvemos o que tem que ser feito ou simplesmente
deixamos que se resolvam. Mas há coisas que não se resolvem nunca. Passemos,
tudo é cíclico, da mesma forma que veio, uma hora vai, e já não atormenta ou
ocupa mais espaço do que deve. As estações estão aí pra nos dizer que a
temperatura baixa e a brisa cortante de junho trazem pra perto as flores de
outubro, e as tempestades de fim de março trazem o vento bom e ameno do outono.
Nossas vidas são fotografias desbotadas na parede da sala ou nomes enfileirados
em listas intermináveis. E números. Estatísticas, dados, probabilidades e
possibilidades. Opção sempre pra um Deus que brinca de ser feliz. É, não
adiantar planejar futuro, catalogar sonhos ou fazer reservas e economias. A
vida nos pega de surpresa, e Deus, bem, Ele ri de nós.

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