Ah Zé, sabe do que eu sinto falta
agora? De mim, Zé, eh, de quando me enchia saber o que eu era. Petulância, coragem
e atrevimento. Era tão feliz, ao menos, divertido. Eu não tinha medo Zé,
mergulhava sem medo, com toda cautela possível, dá pra acreditar?! Arriscava
tudo e não perdia nada, nem lamentava o que se tinha perdido. Tinha planos, e
melhor, executava-os com maestria. Pouco me importava o que diriam, fazia o que
me dava na telha, e confiava em mim, acima de qualquer coisa. Já nem sei quanto
tempo faz a última vez em que me disse: tenho muita sorte. Roubaram-me, Zé.
Pode alguém te roubar de si mesmo?! Porque se não, acho que esse foi o primeiro
furto de alma de que tenho ciência. Me deixaram só esse vazio de medo, trauma e
frustração. Eu sinto falta, zé, falta de mim, falta d quem eu era. Eu cansei
dessa pessoa que me deixaram, ela não se parece em nada comigo. E o que eu
faço, heim Zé?! Me diz a quem a gente recorre quando nos roubam a alma?!

Nenhum comentário:
Postar um comentário